15 de outubro de 2013

Dia 25, caravana da anistia julgará presos e perseguidos da Convergência Socialista

15/10/2013 - No dia 25 de outubro, a Comissão de Anistia julgará 25 militantes históricos da Convergência Socialista, corrente que deu origem ao PSTU. Os companheiros e companheiras serão anistiados e receberão reparação política pela perseguição e tortura sofridas durante a ditadura militar no Brasil.

Não será um julgamento individual, mas sim uma Caravana da Anistia específica da Convergência. É um acontecimento muito importante, pois significa o reconhecimento oficial do papel cumprido pela nossa corrente na luta pela democracia e em defesa da classe trabalhadora nos anos do regime militar no país.

A Caravana será realizada às 9h, no Teatro da Pontifícia Universidade Católica, na Rua Cardoso de Almeida, local simbólico da luta contra a ditadura. Sairão ônibus de São José dos Campos para participar do evento.


Leia mais abaixo no artigo de Américo Gomes, 
da Comissão de Presos e Perseguidos Políticos da ex-Convergência Socialista

A história de nossa corrente no Brasil esteve fortemente vinculada com os principais acontecimentos da luta de classes. Lutamos contra os governos ditatoriais, democráticos burgueses e frente populares, sempre na defesa dos interesses dos trabalhadores e contra a opressão e exploração de nossa classe.

Em função disso, tivemos militantes mortos, torturados, presos e perseguidos. Demitidos de seus trabalhos, ameaçados de morte e obrigados a fugirem de suas cidades. Militantes como Rosa e José Luis Sundermann, assassinados brutalmente em São Carlos (SP) em 1994 e Gildo Rocha, dirigente do sindicato dos servidores do Distrito Federal, assassinado em 2000 pela polícia do governo Joaquim Roriz durante atividade da greve contra a terceirização.

Esta luta nem sempre foi reconhecida pelos historiadores e nem mesmo pelo conjunto das organizações da classe trabalhadora. Por isso, neste ano, após alguns anos de luta, estamos tendo uma grande vitória, pois haverá o reconhecimento oficial do papel da Convergência Socialista e seus militantes na luta contra a ditadura.

A Convergência na luta contra a ditadura
Em 1977, a luta pela libertação de nossos companheiros presos e torturados, então militantes da Liga Operária, organização que precedeu a Convergência, foi um elemento muito importante para a retomada das grandes mobilizações estudantis.

Logo a seguir, nossos camaradas estiveram presentes nas greves operárias que ocorreram no ABC em 1978. Inclusive na Scania em São Bernardo. Assim como nas greves de 1979 que se espalharam pelo estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Militantes nossos se encontravam nas fábricas do ABC, São José dos Campos, Guarulhos, Santos, Jundiaí e na capital São Paulo, organizando greves contra a carestia e contra a ditadura, enfrentando a perseguição e a prisão.

Nossa imprensa alternativa e operária como Versus, Convergência Socialista e Alicerce da Juventude Socialista, lutou em suas páginas pelo aumento da consciência da classe, propôs novas formas de organização e criticou ferozmente a ditadura cívico e militar de caráter imperialista.

Foi a Convergência Socialista que teve a ousadia de realizar a primeira reunião pública de socialistas ainda durante a ditadura, em 1978. Teve por isso grande parte de sua direção presa, inclusive Nahuel Moreno, que se encontrava no país. Isso foi há 35 anos. Foi também a CS a primeira a organização que propôs a fundação de um Partido dos Trabalhadores (PT), que representasse a classe, sem os patrões.

Nossas colunas estavam presentes no 1º de maio de 1980 na Vila Euclides, em São Bernardo, com nossas faixas, bandeiras e palavras de ordem, junto com os mais de 100 mil manifestantes. Em 1981, estivemos na Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat), defendendo e fazendo parte da Comissão Nacional Pró-CUT. Da mesma maneira, militantes da CS estiveram à frente dos piquetes da Greve Geral de 1983, com muitos militantes sendo presos e golpeados pela polícia. Em 1984 nossas colunas ficaram famosas nas marchas pelas Diretas Já.

Anistia política e reparação
Toda esta luta vem sendo reconhecida pelo Estado e pelo movimento dos trabalhadores através dos processos de anistia e reparação política nos últimos anos.

Já passaram por este processo os companheiros José Maria de Almeida, Dirceu Travesso, Romildo Raposo, Antonio Donizete Ferreira (Toninho), Tarcísio Eberhardt, Ernesto Gradella, Jose Cantidio de Souza Lima (Cipó), Maria Cecília do Nascimento Garcia (Cilinha), Lilian Irene Queiroz, Luis Carlos Prates (Mancha), Antonio Fernandes Neto, Alexandre Fusco e Oscar Itiro.

No entanto, no dia 25 de outubro teremos um grande acontecimento quando 25 companheiros nossos serão anistiados e terão a reparação política. Será muito importante porque não será um julgamento individual, mas sim uma Caravana da Anistia específica da Convergência Socialista, o que implica em um reconhecimento oficial da nossa luta.

Esta é uma grande vitória num momento em que os trabalhadores e juventude ganham as ruas novamente em grandes manifestações, e que a classe operária vem retomando seu principal método de luta, com a realização de greves, e, particularmente a greve geral.

Um momento importante também, pois estamos sendo atacados. Tanto em nossa legalidade, quando buscam limitar nossa aparição pública na televisão; como quando abrem inquéritos policiais contra camaradas nossos que estiveram à frente das mobilizações de junho, como o caso do companheiro Matheus Gomes em Porto Alegre, com o claro intuito de nos criminalizar; e nos reprimem violentamente nas ruas quando participamos das manifestações.

Como se aqueles que estiveram na linha de frente da luta contra a ditadura não tivessem o direito de participar da democracia. Vale ressaltar que as organizações de direita, burguesas e imperialistas, ligadas ao tenebroso passado da ditadura, buscam a todo o momento evitar estes acontecimentos por recordar a luta que foi travada contra ela.

A Caravana da Anistia da Convergência Socialista ocorre a partir das 9h da manhã no Teatro da Pontifícia Universidade Católica, TUCA, na Rua Cardoso de Almeida. Há toda uma simbologia desta atividade ser na PUC, um dos locais de grande importância na luta contra o regime militar. Será um momento para encontrar jovens e velhos militantes, para recordar as lutas do passado e se preparar as do futuro.

Continua a luta por punição e reparação
Ainda temos na lista de nossa organização dezenas de quadros e militantes históricos que participaram desta luta e esperam a anistia e a reparação do Estado. Mas a nossa luta não vai parar aqui.

A luta pela anistia e reparação para nossos militantes, e de todos os que dedicaram sua vida à luta contra a ditadura, está fortemente vinculada à luta por verdade e memória. Mas também principalmente por justiça, pois esta somente ocorrerá se houver punição para os agentes de Estado que cometeram crimes durante a ditadura, e os empresários e empresas que a promoveram e financiaram. E também a reparação a todos que lutaram contra ela e foram responsáveis por sua derrubada. Para que isso nunca mais volte a acontecer.