4 de agosto de 2014

Crise nas montadoras: É preciso garantir os empregos


4/8/2014 - Se no Brasil a economia está estagnanda, na indústria já se vive uma recessão na prática. O IBGE acaba de divulgar o resultado da produção industrial de junho, que registra uma queda de 6,9% em comparação com o mesmo mês do ano passado. É a pior queda desde setembro de 2009, quando o setor havia retrocedido 7,4%. O resultado foi puxado pelo setor automobilístico, que teve queda de 36,3% no mês. Isso reflete principalmente as férias coletivas concedidas aos funcionários de várias montadoras, como na GM.

A multinacional norte-americana quer ainda colocar em lay-off (suspensão nos contratos de trabalho com redução nos salários) mais de 1  mil operários da planta de São José dos Campos (SP). A medida é uma ante-sala para a demissão em massa. Isso é um absurdo principalmente se lembrarmos quanto as grandes empresas receberam em isenções concedidas pelo governo nos últimos anos. Só entre 2010 e 2014, a política de isenções fez com que fossem deixados de arrecadar R$ 15,5 bilhões. Só as montadoras se beneficiaram em R$ 8,3 bilhões. No início do mês, as montadoras e o governo renovaram o acordo de isenção do IPI, para agora voltarem a ameaçar os trabalhadores com novas levas de demissões. Querem fazer com que os trabalhadores paguem a conta dessa crise.

Isso prova que as isenções não só não garantem os empregos, como financiam as demissões para manter os lucros das grandes multinacionais em épocas de crise. Lucros esses que serão remetidos às suas matrizes lá fora. Os metalúrgicos de São José dos Campos (SP) e o sindicato, ligado à CSP-Conlutas, já avisaram que não aceitarão isso e que lutarão em defesa dos empregos, exigindo ainda que Dilma proíba as demissões e reduza a jornada de trabalho.

Essa nova ameaça mostra como o governo e a sua política econômica atuam na defesa dos interesses dos lucros das grandes empresas. Para as multinacionais, todas as garantias possíveis para seus lucros. Já para os trabalhadores, nada, nem mesmo a garantia de seu próprio emprego.

É por isso que a candidatura Zé Maria à presidência afirma que, sem romper com as grandes empresas e multinacionais, não haverá mudanças. Só um governo dos trabalhadores, sem patrões, pode garantir os empregos, reduzir a jornada de trabalho, aumentar os salários em detrimento dos lucros bilionários, e atender os interesses e reivindicações da classe trabalhadora desse país.


Fonte: http://www.zemaria.org.br/