21 de outubro de 2013

Com Exército e Força Nacional de Segurança, governo faz hoje maior privatização da história

21/10/2013 - Nesse dia 21 de outubro, parte do Rio de Janeiro se transformou numa área sitiada e militarizada. Tudo para garantir o que deve ser a maior privatização da história, com o leilão do megacampo de Libra, da bacia de Santos.

A presidente Dilma e o governador Sérgio Cabral (PMDB) criaram um verdadeiro esquema de guerra para garantirem a entrega do campo ao capital privado internacional. O esquema inédito de segurança deve reunir pelo menos 1,1 mil homens entre militares do Exército e da Marinha, policiais federais, policiais militares e civis e agentes da Força Nacional de Segurança, que sozinho, deverá deslocar 200 homens. Aparato articulado diretamente pela Secretaria Geral da Presidência.

O leilão está marcado para as 15h desta segunda no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. Desde a madrugada de domingo, as ruas que dão acesso ao hotel estão bloqueadas. Ônibus ou qualquer outro veículo estão proibidos de circularem pelo perímetro. Moradores da área só podem entrar com comprovante de residência.

Maior entrega da história
O leilão do Campo de Libra é o primeiro da área do Pré-sal a ser vendido e representa a maior privatização da história, superando, em valores, todas as outras realizadas desde o governo FHC. Só para se ter uma ideia, até hoje a Petrobras descobriu, em seus 60 anos de existência, o equivalente a 15 bilhões de barris de petróleo. Espera-se que só Libra tenha capacidade de produzir ao menos 12 bilhões. Nos últimos dias, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) refez seus cálculos sobre a capacidade de produção diária do campo, aumentando de 1 para 1,4 milhão de barris.

Neste sábado, diante da pressão e da repercussão do caso, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi obrigado a ir a público se pronunciar sobre o leilão. Disse em entrevista coletiva que "de qualquer maneira ocorrerá o leilão", ainda que apenas um consórcio participe. "Não sabemos dizer quantos consórcios vão participar, isso pouco importa", chegou a dizer, demonstrando que a prioridade do governo é entregar o megacampo, não importando as circunstâncias ou nem mesmo a contrapartida econômica.

Além do forte aparato repressivo para evitar as manifestações durante o leilão, a Advocacia Geral da União se colocou de prontidão nesse final de semana para evitar que os 24 pedidos de suspensão liminar do processo protocolados na Justiça impeçam a entrega. Dezoito já foram derrubadas enquanto seis ainda aguardam análise.

O governo chegou a antecipar o leilão, que inicialmente iria ocorrer em novembro, a fim de garantir os R$ 15 bilhões que deve conseguir de bônus pela venda do bloco e, desta forma, assegurar o cumprimento do Superávit Primário, ou seja, a economia para pagar os juros da dívida pública. No entanto, especula-se que os valores totais representados pelo petróleo de Libra superem 1,5 trilhão de dólares (ou algo como R$ 3 trilhões).

Greve e manifestações
Enfrentando uma série de medidas repressivas e autoritárias da Petrobrás, os petroleiros realizam uma forte greve nacional e unificada que tem como ponto principal o cancelamento do leilão de Libra. Apesar de toda a intimidação e aparato repressivo colocado a serviço do leilão, petroleiros e movimentos sociais realizam diversas manifestações nesta segunda contra a entrega do petróleo e por uma Petrobrás 100% estatal.

Fonte: www.pstu.org.br