27 de novembro de 2013

Após Campanha Salarial marcada por mobilização, trabalhadores da Embraer aprovam reajuste de 8%

Foto: Divulgação Sindmetalsjc/Flávio Pereira
27/11/2013 - O clima entre os trabalhadores da Embraer em assembleias nesta quarta-feira, dia 27, era de tranquilidade e sensação de dever cumprido. Após uma das Campanhas Salariais mais mobilizadas dos últimos anos, os trabalhadores da produção e do setor administrativo da maior unidade da Embraer, da Faria Lima, aprovaram um reajuste salarial de 8%.

A proposta aprovada prevê um aumento de 7% retroativo a setembro e mais 0,94% em janeiro para trabalhadores com salários de até R$ 10.029,15. Funcionários que recebem acima desse teto, receberão um fixo de R$ 720,04 em novembro e R$ 100,29 em janeiro.

O acordo inclui ainda estabilidade no emprego até 31 de dezembro para todos os funcionários e o não desconto das horas paradas nas greves.

Assembleias serão realizadas com os trabalhadores das outras unidades da Embraer, de Eugênio de Melo e Eleb, ainda esta semana para votar a mesma proposta.

O gigante acordou
Não foi uma campanha fácil. Como sempre, a Embraer fez de tudo para não conceder o mesmo reajuste salarial conquistado pela categoria metalúrgica. No começo das negociações, a empresa ofereceu apenas a reposição da inflação, de 6,07%.

A forte mobilização demonstrada pelos trabalhadores foi o fator fundamental para quebrar a intransigência da empresa.

No dia 8 de outubro, na fábrica da Avenida Faria Lima, e no dia 23, na unidade de Eugênio de Melo, houve paralisações de quatro horas. Já no dia 31 de outubro, foi deflagrada a greve de 24 horas, que unificou de forma inédita os trabalhadores do setor da produção e do administrativo, após vários anos.

A Campanha Salarial chegou a ir para dissídio coletivo e a Embraer manteve-se intransigente, se negando a atender a reivindicação dos trabalhadores. Mas o clima na fábrica mudou e a empresa percebeu isso.

Duas semanas após a audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa a Embraer nas negociações, chamou o Sindicato para outra reunião e apresentou a proposta de 8%.

Nas assembleias desta quarta-feira, a ampla maioria dos trabalhadores aprovou a proposta, ciente de que a sua luta garantiu a conquista. Houve até quem votou para que a luta continuasse e se esperasse o julgamento do dissídio.

 O fato é que depois de muitos anos, os trabalhadores da Embraer começam a dizer um basta aos ataques da empresa. Entre os funcionários, o sentimento da maioria é de indignação com o desrespeito da Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, mas que vem impondo um brutal de arrocho salarial a cada ano e se nega a negociar com os trabalhadores.

Os trabalhadores da produção e do administrativo da Embraer estão de parabéns. Foi uma das mais fortes campanhas da história da empresa após a privatização”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Herbert Claros.

Mas a nossa luta não acabou. Precisamos continuar lutando pela redução da jornada de trabalho de 43h para 40h semanais, pois nenhuma outra fabricante de aviões no mundo pratica hoje uma jornada superior a 40 horas semanais”, disse.

Nos últimos anos, a empresa foi contemplada com desoneração fiscal na folha de pagamento e um aporte de R$ 1,2 bilhão referente ao contrato para a produção do avião cargueiro KC-390 para a Força Aérea Brasileira. É dever do governo Dilma, também cobrar da empresa a sua responsabilidade social e a redução da jornada”, concluiu.