24 de março de 2014

Apesar de perseguição, encontro "Na Copa vai ter Luta" reúne 2.500 em São Paulo

24/3/2014 - Bem que tentaram. Nos dias finais de preparação para o Encontro do Espaço Unidade de Ação, "Na Copa Vai ter Luta", que seria originalmente realizado na quadra da Mancha Verde, a polícia civil, a Federação Paulista de Futebol e uma série de autoridades passaram a pressionar a direção da escola para impedir a realização do evento. A revista Veja chegou a publicar uma nota afirmando que "PSTU, Black Blocs e a torcida da Mancha Verde" estariam preparando um encontro para praticar atos de vandalismo durante a Copa. Mas toda essa campanha de estigmatização e criminalização do evento não impediram que o encontro reunisse milhares de pessoas na quadra do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

Mesmo bastante apertados no espaço improvisado, os ativistas vindos de várias partes do país não desanimaram e discutiram as mobilizações que devem sacudir o país durante a realização dos jogos.

Além das entidades que compõem o Espaço Unidade de Ação, como a CSP-Conlutas, a maioria da direção da Condsef, Feraesp (Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais do estado de São Paulo), a corrente "CUT Pode Mais", o encontro contou com a participação de representantes dos garis do Rio, que protagonizaram uma heroica greve e de operários em greve do Comperj, a refinaria da Petrobrás em Itaboraí (RJ).

"Fizeram de tudo para que esse encontro não acontecesse, mas a nossa unidade superou a criminalização, a burguesia não quer a unidade da classe trabalhadora", afirmou Rejane Alves, da CUT Pode Mais. Gaúcha, Rejane falou sobre o processo de criminalização que atinge os ativistas de Porto Alegre e apontou a necessidade de se aprofundar a unidade e a independência da classe trabalhadora. "Havia antes dois caminhos: a destruição ou a cooptação; mas nós construímos um terceiro caminho, que é o da organização, autonomia e da luta", disse.

Sentimento de unidade que foi reafirmado por Antônio Bispo, da Feraesp. "Estou aqui para construir a unidade e um projeto que realmente liberte a classe", afirmou. Ele denunciou a farsa da reforma agrária do governo Dilma, que chamou de "migalha agrária". Já Sérgio Ronaldo, da Condsef, que reúne os sindicatos dos servidores federais dos estados, deu uma boa notícia à plenária. "A partir de agora não pode mais se referir à 'maioria da Condsef' ao se referir ao Espaço Unidade de Ação, mas à Condsef como um todo, pois aprovamos nossa incorporação no último Congresso".

Numa fala carregada de emoção, um representante dos garis do Rio, Célio, relatou os momentos de tensão durante a dura negociação com a patronal, quando descobriu a solidariedade massiva que cercava o movimento. "Foi ali, no prédio da Justiça do Trabalho, que descobrimos que a nossa luta não era só nossa, dos garis, mas de todos os movimentos sociais, eu não podia 'arregar' naquele momento", disse, denunciando ainda a repressão e o autoritarismo que se abateu contra os trabalhadores em greve. "Vivemos numa democracia disfarçada, que por trás se esconde uma verdadeira ditadura", afirmou. Após a fala dos garis, o plenária entoou "Gari/ Escuta/A sua luta é também a nossa luta".

Representantes da greve do Comperj relataram a verdadeira rebelião de base que tomou os canteiros de obras da refinaria em Itaboraí. "Os operários queimaram o carro da CUT, porque ela não representa mais os trabalhadores, no outro dia mandaram motoqueiros armados que atiraram contra nós e atingiram dois companheiros", relatou um dos operários. "Essa greve não é só por 15% de aumento, mas para mostrar para Dilma que quem manda é a classe operária", afirmou. Os operários do complexo realizavam uma greve que durava mais de 40 dias. O sindicato tentou uma manobra, divulgando que a patronal havia aceitado uma proposta que nunca havia sido realizada. Quando os trabalhadores souberam, retomaram a greve com ainda mais força.

A dirigente do PSOL, Luciana Genro, do Movimento de Esquerda Socialista (MES), por sua vez, tornou público ao plenário a decisão da corrente de se integrar à CSP-Conlutas e falou sobre o processo de reorganização e o impacto de junho. "As jornadas de junho, com seu levante popular e estudantil não foi qualquer coisa, foi a primeira vez na história que uma direção política não teve controle sobre um movimento social tão importante", contou. "Cabe a nós construir uma alternativa", defendeu.

José Maria de Almeida, o Zé Maria, presidente nacional do PSTU, falou sobre a perseguição que atingiu a organização do encontro. "Muitos vieram perguntar se o que aconteceu não foi um exagero deles, e eu digo não, companheiros", afirmou, relatando o crescente processo de criminalização das lutas e do aumento da exploração capitalista como forma de dar uma solução à crise aberta em 2008.

Pré-candidato do PSTU à presidência, Zé Maria falou sobre o debate eleitoral e como a imprensa reduz as questões a esse único debate, reforçando que "aqui estamos construindo um outro caminho, porque sabemos que a solução não está nas eleições, mas nas ruas". Zé Maria defendeu "a construção de um outro junho, se possível igual ou maior ao do ano passado".

Após o debate que contou também com a participação das entidades estudantis ANEL e o Juntos!, os participantes do encontro realizaram breve ato público que parou a Radial Leste por cerca de meia hora.

Após a manifestação, os participantes ainda tiveram forças para se reunir em grupos temáticos que discutiram, entre outros temas, as opressões, a criminalização dos movimentos sociais, a educação pública e os serviços públicos de forma geral. Ao final, o plenário apontou um calendário de lutas que prevê, entre outras datas, mobilizações nacionais para o dia 12 de junho, dia de estreia da Copa do Mundo.

Fonte: www.pstu.org.br