5 de novembro de 2014

Apesar de economia fraca, bancos seguem com lucro recorde

5/11/2014 - A vida não tá fácil pra ninguém. Mas para alguns (poucos é preciso reconhecer), a vida vai muito bem. É o caso dos bancos no Brasil. Nos primeiros nove meses deste ano, somente os três maiores bancos privados do país (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) já lucraram a espantosa soma de R$ 27,4 bilhões, um crescimento de 26,9% em relação ao mesmo período de 2013. Os dados são do jornal Valor Econômico.

Apenas no terceiro trimestre, cujos dados estão sendo divulgados desde a última semana, a soma dos resultados alcançou R$ 9,8 bilhões, 29,9% maior que o do mesmo trimestre do ano passado.

O maior deles é o Itaú Unibanco, que anunciou nesta terça-feira, dia 4, um lucro líquido de R$ 5,404 bilhões, de julho a setembro, valor 10,3% acima dos R$ 4,899 bilhões atingidos nos três meses anteriores. O Bradesco anunciou lucro de R$ 3,9 bilhões e o Santander R$ 537 milhões.

De janeiro a setembro, o Itaú Unibanco obteve o maior ganho: R$ 14,722 bilhões. Valor que em nove meses é novamente o maior da história dos bancos brasileiros, repetindo o feito em 2013.

Bancos parasitam a economia
Esses ganhos recordes dos bancos ocorrem mesmo quando a luz vermelha já foi acesa na economia brasileira, com uma forte desaceleração econômica.

O fato é que se a política de juros altos, inflação e arrocho nos salários penaliza brutalmente o povo trabalhador, o efeito é inverso para os banqueiros.

No Itaú, por exemplo, a alta taxa de lucratividade foi obtida com serviços como cobrança de tarifas e crédito consignado. Segundo informações divulgadas em seu balanço, no terceiro trimestre, o banco ampliou em 15,6% a margem de ganho no crédito em relação a igual período de 2013. As receitas com tarifas e serviço somaram R$ 6,558 bilhões, 15,6% mais do que no mesmo período do ano passado.

Em resumo: é com aumento dos juros, tarifas abusivas e o endividamento dos trabalhadores, sem contar a agiotagem com a Dívida Pública, que os bancos seguem lucrando mesmo com a economia fraca. A taxa de juros no Brasil é a maior do mundo. E isso possibilita que os bancos tenham lucros exorbitantes a cada ano.

A soma do lucro registrado por quatro bancos brasileiros em 2013, que chegou a cerca de US$ 20,5 bilhões, é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) estimado de 83 países no mesmo ano, segundo levantamento feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os ganhos do Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, juntos, foram maiores que a soma de todas as riquezas produzidas no ano, por exemplo, por Honduras, na América Central. O PIB nominal deste país atingiu US$ 18,87 bilhões.

Durante a recente campanha eleitoral, os candidatos Dilma (PT), Aécio (PSDB) e Marina (PSB) chegaram a trocar “acusações” sobre quem mais favoreceu ou era ligado aos bancos. Mas, o fato é que o setor é o que mais lucra em todos os últimos governos desde FHC.

Um estudo feito pelo ILAESE (Instituto Latino-Americano de Estudos Sócio-Econômicos), sobre o Sistema Financeiro Brasileiro de 1994 a 2010, verificou que os lucros dos bancos cresceram 1.575% em 14 anos, uma média de 112% ao ano. Os bancos dobram seus lucros de forma continuada por 16 anos. Durante o governo Lula, os ativos bancários ultrapassaram o valor do PIB (Produto Interno Bruto). Ou seja, as riquezas em poder dos bancos superava tudo o que os brasileiros produziam em um ano.

A única forma de acabar com a farra dos bancos é colocando o sistema financeiro a serviço das necessidades da população, dos trabalhadores e do povo pobre.

Defendemos medidas com a suspensão do pagamento da Dívida Pública, que já foi paga várias vezes e que serve apenas para desviar os recursos que iriam a áreas como Saúde e Educação, para os especuladores. Bem como nacionalizar e estatizar os bancos, a fim de garantir financiamentos de obras públicas e projetos de real interesse da população e também para disponibilizar aos trabalhadores empréstimos baratos, com juros subsidiados.